
Quero falar, quero berrar bem alto e dizer como me fazes sentir, quero gritar e avisar todos da dor que sinto! Eu grito e ninguém me ouve, eu choro e ninguém vê, eu vivo e ninguém me acompanha, porque todos têm algo mais em que pensar, eu respiro e parece que para todos isso já é um hábito, para mim não, sou uma criança ainda a tentar habituar-se ao barulho e à confusão do mundo real (…) ; quero crer que vou ser diferente de todos os outros e que vou conseguir dar alguma coisa nova à vida de cada um, quero acreditar que sou eu quem vai ditar as regras do meu mundo, que sou eu quem vai comandar a minha liberdade, mas não. Não há histórias de vida que se repitam, não há uma parecença com o mundo real a que eu me defina, não há um único ponto final nestas linhas, como os meus : produzo parágrafos com mais de 50 linhas de história, e acabo por perceber que mais uma página passou no livro do meu mundo. Acabo por deixar sair alguma tristeza, em forma de lágrima, e isso não me deixa particularmente orgulhosa sabendo que não me auto-controlo por aquilo que vivi. Não, a vida não é justa, mas nela também nada é justo, nada é perfeito ; nada se molda, tudo se constrói ; nada se perde, tudo se desencontra ; a distância faz-me cada vez mais pensar que nada valeu a pena, que não valeu a pena eu continuar a morrer a cada passo que dava a rastejar por ti ; cada vez que choro, grito, e alguém me ouve além das paredes que me acompanham no choro constante .?! Alguém me ampara as quedas cada vez que me quero retirar dos mundos em acompanhamento inconstante ao meu .?! Sinto uma revolta muito grande por não conseguir coagular ambas as coisas (saudade e ódio), porque sei que isso, só pelo facto de ser o que é, magoa-me. Não quero pensar “ e se (…) “ ; não, não há e se’s , as coisas acontecem e eu acabo por vivê-las de maneira diferente, tento sempre ver os dois lados das situações, mas só posso optar por um : que ninguém me aponte o dedo ou diga que sou isto ou aquilo por não ter escolhido o que esse “ninguém” queria ; cometo erros, sou humana, e como tal tenho direito a perdão como tantos outros seres iguais a mim ; eu não vivo sem respirar, mas quem sou eu para questionar o sentido das coisas .?! Quem sou eu para questionar o que vai acontecer amanhã, ou até mesmo o que aconteceu ontem .?! Eu vivo através do pouco que a vida me concede e alcanço o que eu mais ambiciono. Não desisto de nada, nem deixo nenhum assunto por resolver ou até a meio.
E tu, caro leitor, que neste momento estás confuso, eu não posso dar mais a conhecer do que isto. Digo-te que tenho medos, tenho virtudes, tenho veias corajosas, tantas como tenho artérias venenosas. Enfrento quem mais temo, e idolatro quem é o contrário do que eu sou (no bom sentido). Concluindo : sem mais opções, sou diferente de todos e igual a ninguém.
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